segunda-feira , 11 dezembro 2017

Caminhada

Ato do movimento de mulheres contra violência de gênero

No último sábado, 25, diversos coletivos de mulheres se reuniram para promover atividades para marcar o dia Internacional de luta pelo fim da violência contra a mulher. A data é ressaltada no calendário de ativismo do movimento feminista na América Latina, Caribe e Brasil, em razão do enfrentamento à violência de gênero, pauta histórica e central do movimento feminista. Em Recife, a partir das 9h, em frente à igreja à do Pina, diversos movimentos, além de organizações sociais e culturais promoveram uma caminhada pela comunidade. A atividade contou com oficina de cartazes, debates e batucada, além da preparação de lanches.

 De acordo com as organizadoras, tal processo de construção compreendeu que era importante sair mais do centro da cidade onde, em geral, os atos políticos são realizados e ir para regiões mais periféricas dialogar com mulheres e homens que nem sempre tem as condições concretas de estar nos centros urbanos. “Essa construção se deu por muitas mãos de vários coletivos, grupos feministas e entidades que interagiram com a comunidade. Depois de algumas reuniões houve a definição de que era importante descentralizar os atos do que era tradicionalmente feito, como os trajetos de concentração no Derby e na avenida Conde da Boa Vista”. Afirmou Paula Menezes, da Secretaria de Mulheres do PT Pernambuco.

Quebrando o silêncio

Conforme Paula, os diversos grupos saíram pelas ruas conversando com mulheres e homens, explicando a importância de não se calar diante da violência. “Procuramos mostrar que as mulheres não estão sós. Em algum lugar tem alguém lutando por elas e com elas. E é importante nos voltarmos para as comunidades, porque a maioria das mulheres que são vitimas de violência são da periferia e principalmente as mulheres negras, que são também atingidas pelo racismo”, disse Paula.

Neste diálogo com a comunidade, a integrante da secretaria de Mulheres do PT ressaltou, ainda, que haveria vários formas de violência. “Conversamos com as pessoas dizendo que não existiria apenas a violência física. Mas, outros tipos de violência como ameaças, que é a violência psicológica, a violência patrimonial ( quando o homem se apossa de seus bens, rasga, destrói ou se apossa da roupa da mulher para que ela não use), entre outros. E nosso objetivo era explicar que basta de violência contra as mulheres”, ressaltou a ativista.

Sem políticas públicas

Para Raísa Rabelo, também da Secretaria da Mulher do PT PE e integrante do segmento de juventude partido, a JPT-PE, durante a atividade no bairro do Pina, foram cobradas várias politicas públicas tanto do governo do estado quanto da prefeitura do Recife em relação a violência contra a mulher. “Aqui no estado nós temos alguns centros de atendimento, que deveriam ser centros de referência. Mas, não há nada direcionado à violência contra a mulher. Nem a delegacia da mulher a gente pode dizer que é uma referência. Porque a mulher que sofre uma violência, chegando lá sofre mais ainda”, ressaltou Raísa.

A militante lembra que, somente este ano em Pernambuco, 638 mulheres já foram vítimas de estupro e politicas não são implementadas diante deste quadro gritante. “Quando o governador vai se pronunciar diz que a gente é que tem de ter cuidado por onde anda, quando na verdade o estado é que deve garantir segurança e tomar medidas contra os estupros, contra essa cultura do machismo, ao invés de culpar as vítimas de violência”, destaco.

Em todo o Brasil, Caribe e América Latina foram organizados atos para marcar a data que visa refletir sobre a crescente violência contra a mulher. Em Recife o ato do dia 25 foi construído por diversos coletivos feministas como o Fórum de Mulheres de Pernambuco, Rede de Mulheres Negras, Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas, Marcha Mundial de Mulheres, Coletivo de Mães Feministas Ranúsia Alves, Projeto Por Vós, Juventude do Pina, Livroteca do Pina, Ocupação MTST,  Banhistas do Pina, Maracatu Baque Mulher, Setorial de Mulheres da CUT e Secretaria de Mulheres do PT.

 

Números que gritam

No Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada; a cada 7,2 segundos uma mulher é vítima de violência física; por dia acontecem cerca de 13 feminícidios; o número de mulheres negras assassinadas aumentou 54%, enquanto o de mulheres brancas caiu 9,8%.

Já em Pernambuco, por dia, cerca de 90 mulheres são vítimas de violência, o que significa um caso de agressão a cada 17 minutos e cada 4 dias uma mulher é vítima de feminícidio e a imensa maioria delas é negra. Além disso, na média, são notificados mil estupros no estado por ano. Os dados são do anuário brasileiro de segurança pública, do Mapa da Violência de 2015, entre outras fontes*

Mesmo com avanços importantes na legislação brasileira e nas políticas públicas, a exemplo da promulgação da Lei Maria da Penha, a criação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, as casas-abrigo e os centros de referência, ainda há um longo caminho a ser trilhado para que sesse a escalada de violência contra a mulher.

Fontes*: http://emais.estadao.com.br/blogs/nana-soares/em-numeros-a-violencia-contra-a-mulher-brasileira/ E http://soscorpo.org/wp-content/uploads/SOS-CORPO-Nota-crítica_25nov16.pdf