quarta-feira , 18 julho 2018
Recife - PE, 17/06/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante Ato Mulheres pela Democracia contra à Violência. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Recife - PE, 17/06/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante Ato Mulheres pela Democracia contra à Violência. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

PAÍS

Dilma em Recife: “Nós teremos de construir um verdadeiro governo de salvação nacional. Eles não venceram. Eles são provisórios e interinos”

Na vinda ao Recife, a presidenta eleita Dilma Rousseff, participou, na tarde de sexta-feira(17), de cerimônia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), seguindo no final do dia para o centro do Recife, pátio do Carmo. No Centro de Ciências Sociais e Aplicadas – CCSA, da UFPE, com auditório lotado e centenas de pessoas tanto dentro do centro, quanto do lado de fora – acompanhando a cerimônia por telão, Dilma falou sobre importantes políticas de governo, tratando também sobre o golpe em curso.

Conforme Dilma, para alguns tal ruptura estaria sendo chamada de ‘Golpe frio’. Outros o teriam nomeado como ‘Golpe com mão de Gato’. De acordo com a presidenta afastada, esse golpe teria uma característica diferente, não havendo tanques, nem armas, como na década de 60. O de agora, corroeria as instituições por dentro. Dilma comparou a democracia a uma árvore que em um golpe militar seria cortada com um machado. Neste golpe de então, definido pelos alemães como frio, a árvore seria corroída por dentro. “Neste golpe, os parasitas ficam atacando as instituições porque elas são fundamentais numa democracia. Eles entram nas instituições. E o que é que o parasita quer matar? O oxigênio da discussão. O debate”, explanou a presidenta eleita sobre o processo de impeachment em curso.

Dilma chegando à UFPE. Foto: Thiago Pereira

À noite, no Pátio do Carmo, centro do Recife, Dilma explicou que a tentativa de derrubada de seu mandato está sendo feito por um impeachment fraudulento em que não há crime de responsabilidade por parte de sua gestão e cujo objetivo é barrar as investigações da Lava-jato e desestruturar as políticas sociais constituídas:  “Essa crise culminou num processo de impeachment. E  esse processo foi desencadeado por um bando de usurpadores que têm dois objetivos. O primeiro é barrar as investigações para que elas não cheguem até eles. Mas, o segundo objetivo também é muito grave. É desmantelar, é destruir todas as políticas sociais, toda as políticas de defesa da soberania nacional”, afirmou.

No palco montado no Pátio do Carmo, Dilma foi recebida por representantes do movimento de mulheres que compõem a Frente Brasil Popular em Pernambuco e que também articularam a vinda da presidenta. Abriram a cerimônia a representante do Movimento Povo Sem Medo, Guita Kozmhinsky, e Rita Nascimento, da União Brasileira de Mulheres (UBM). Na ocasião, Dilma dançou ciranda com diversas representantes dos movimentos de cultura. Ao final da cerimônia, pediu para todas e todos entoarem a marchinha de Capiba: Madeira que Cupim Não Rói”. Na UFPE, a música foi puxada por estudantes e demais participantes do encontro.

Centro do Recife. Pátio do Carmo. Dilma, movimento de mulheres e dirigentes políticos. Foto:Társio Alves


BOLSA FAMÍLIA

Foto:Társio Alves

Dilma criticou o não repasse, por Michel Temer, do aumento de nove por cento para o Bolsa Família, já aprovado em sua gestão. Enquanto isso, o governo interino aprovara aumentos da ordem de 59 milhões, explanou a presidenta eleita, referindo-se ao aumento concedido à servidores, parlamentares e para o judiciário. “Pra o povo pobre desse país um bilhão é muito. Para os ricos, 56 bilhões é pouco. É esse o governo da desigualdade, é esse o governo da mesquinharia com o nosso povo. Não pagar o reajuste do bolsa família é uma mesquinharia com o povo pobre desse país” afirmou.


COTAS, PRÉ-SAL E UNIVERSALIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR EM RISCO

Na UFPE, Dilma falou sobre a política de cotas, o Pré-Sal e a importância de investir os recursos desta grande descoberta brasileira na educação. Reafirmou que a Petrobrás é do Brasil e pertence ao povo brasileiro, fazendo uma referência ao editorial do jornal o Globo que defendia a privatização da petroleira. Explicou também as diferenças entre o regime de Partilha aprovado no governo Lula – que garantiria mais recursos para o país,  além de maior autonomia –  do regime de Concessão,  que pretende ser encampado pelo governo interino de Michel Temer.

Ao falar sobre a política de cotas, Dilma afirmou que “ a Lei de cotas mudou as cores nas universidades brasileiras”.

Ao saudar a presidenta, o reitor da UFPE, Anísio Brasileiro,  falou sobre aumento do número de matrículas nas universidades federais com a expansão do ensino superior. “Nós passamos de 148 para 321 campus e de 45 para 63 universidades em todo país. Só para citar, [um exemplo], aqui em Pernambuco, a Universidade Federal de Pernambuco inaugurou um campus da UFPE em Caruaru, e teremos muito orgulho de levá-la, proximamente, para a senhora ver o formidável processo de inclusão social, com mais de 5 mil estudantes na nossa universidade nos últimos 8 anos. Assim também como o campus da UFPE na cidade de Vitória, onde temos mais de 2 mil estudantes” relatou.

De acordo com o reitor da UFPE, as Universidades estariam prontas para um novo ciclo de desenvolvimento, como definido no Plano Nacional de Educação, aprovado no governo Dilma. No entanto, conforme Anísio Brasileiro, tanto as conquistas do governo petista, quanto posteriores avanços em relação à educação correriam riscos no novo governo interino. “Quero dizer, senhora presidenta, que este legado precisa ser defendido. Este legado está em risco. Nós elaboramos um plano de desenvolvimento das universidades brasileiras. Nós estamos prontos para o novo ciclo de desenvolvimento das universidades, de acordo com o Plano Nacional de Educação aprovado no seu mandato. Mas, para isso, para que não ocorra retrocesso é necessário, é imprescindível, mesmo, que ocorra o retorno do país à sua normalidade democrática”, destacou.

Foto: Társio Alves

“Eles enviaram uma proposta de emenda constitucional querendo reduzir os gastos com a saúde, a educação e com os programas sociais”, afirmou Dilma em seu pronunciamento no Recife. A presidenta, ainda, reiterou que: “Como o programa que eles têm [governo interino] não passa pelo critério das urnas, estão tentando encurtar o caminho do poder passando por cima do voto popular, passando por cima do povo”.

“Nós teremos de construir um verdadeiro governo de salvação nacional. Eles não venceram. Eles são provisórios e interinos”, declarou Dilma no ato realizado no Pátio do Carmo.  Afirmou, ainda, que governo de Temer é formado por homens brancos, homens ricos e velhos. Questionou, também, o fato do governo do golpe não ter representação de mulheres, negros e não levar em consideração o movimento popular.

Estiveram presentes aos atos, os senadores Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro (PTB), o ex-superintendente da Sudene, João Paulo, o presidente do PT PE, Bruno Ribeiro, os deputados estaduais Tereza Leitão (PT) e Silvio Costa Filho (PT do B), a deputada federal Luciana Santos (PC do B), a presidenta da União Nacional de Estudantes(UNE) Catina Vitral e diversas lideranças petistas.

Pátio do Carmo espera Dilma. Foto: Adriano Belfort

Foto do topo: Adriano Belfort