sexta-feira , 17 agosto 2018

Teresa Leitão fala sobre condução do governo Paulo Câmara em 2015

Por Teresa Leitão*

O Governo Paulo Câmara, eleito sob forte comoção da perda trágica e prematura do ex-governador Eduardo Campos, seu principal fiador, pode ser considerado ao mesmo tempo um novo governo e um governo de continuidade.

Novo governo quanto à sua configuração política, iniciada pós eleições de 2012 e consolidada no arco de alianças de 2014, no qual forças até então antagônicas ao PSB e às suas gestões anteriores, passam a integrar o palanque de Paulo Câmara e depois a compor o seu governo. Em consequência a gestão e a base aliada na Assembleia Legislativa transitam pelo campo de centro-direita, em que pese a presença de quadros políticos ligados às causas populares e democráticas.

É um governo de continuidade, não apenas porque assim foi apresentado à sociedade, mas também porque o seu principal representante – o governador Paulo Câmara – está na gestão desde 2007 com Eduardo Campos. Ocupou as pastas da Administração, do Turismo, da Fazenda denotando a confiança que gozava do governador. Isso não o desabona, mas o responsabiliza grandemente, pelo fato de conhecer a máquina administrativa e de ter participado das grandes ações dos governos anteriores ao seu, como secretário de pastas estratégicas.

As justificativas de que 2015, foi um ano de crise para todo mundo, são insuficientes. No tocante às elevadas taxas de desemprego, sobretudo no Polo de Suape, há uma consequência da crise econômica, pela maioria dos empreendimentos ser da alçada federal. Mas o que dizer do Complexo Prisional de Itaquitinga, da Cidade da Copa e da Arena, do funcionamento dos Hospitais Regionais e das Upas, alardeados pela viabilidade das PPPs e da gestão das OS, hoje verdadeiros gargalos neste primeiro ano da gestão, todas a exigir solução de continuidade para os próximos anos?

Dificuldades graves na área de Segurança Pública, frente aos índices do Pacto Pela Vida: aumento da violência, aumento do encarceramento e déficit no contingente policial.

Dificuldades na área de Saúde, a tal ponto que a bancada de oposição propôs o Pacto Pela Saúde de Pernambuco, de conotação suprapartidária, envolvendo governo e sociedade, rechaçado por solene silêncio da parte do governo.

Na área da educação, o ano de 2015 foi frustrante em relação às promessas da campanha. O passo dado para recuperação salarial – “dobrar o salário em quatro anos” – foi ínfimo e puxou para baixo o Plano de Cargos e Carreiras. Persistem as contradições nas Escolas de Referência do Ensino Médio e é urgente um melhor diálogo do governo na construção do sistema de educação.

Neste primeiro ano Paulo Câmara decepcionou os servidores públicos, pois como mentor e condutor da mesa permanente de negociação, neste ano de ela funcionou precariamente.

No exercício da liderança política, o governador fez dois movimentos interessantes de interlocução com a sociedade: a luta para trazer o Hub da Latam para Recife, no que é acompanhado por todas as forças políticas do estado, e o posicionamento contrário à alteração do Estatuto do Desarmamento, no qual setores da sua aliança preferem não se envolver.

Do ponto de vista da interlocução nacional, o ano de 2015 se caracterizou como um rosário permanente de transferências de responsabilidades para o Governo Federal, reclamando-se do que não teria sido feito. No entanto, os investimentos anteriores dos dois governos Lula e do primeiro governo Dilma, que mudaram a face social e econômica de Pernambuco, são convenientemente esquecidos.

Não desejo que a gestão piore nos próximos anos. Ao contrário, espero que melhore sensivelmente, pois fechar o ano com queda do PIB não é bom para o estado.

A oposição continuará alerta em 2016 para, no cumprimento do seu papel, fazer o melhor por Pernambuco.

Publicado, originalmente, no Diário de Pernambuco, último domingo (26/12), sob o título: Você aprovou a condução do governo Paulo Câmara em 2015? Raul Henry e Teresa Leitão opinam.

* Teresa Leitão
Deputada Estadual PT – Vice-líder da oposição na Alepe
Vice-presidenta do PT-PE